Frete e entrega de doces: quanto cobrar pra não pagar pra trabalhar
Entregar doce tem custo de combustível, tempo e embalagem, e quase sempre sai de graça. Veja como precificar o frete por distância e cobrar a entrega sem perder o cliente.
Quanto cobrar de entrega de doces depende de uma conta que quase ninguém faz: a entrega tem custo real (combustível ou taxa do app, o seu tempo e a embalagem térmica) e deve ser cobrada por faixa de distância, não num valor único. Uma entrega na esquina e uma do outro lado da cidade não custam o mesmo, e o preço do frete precisa enxergar isso.
A entrega é o prejuízo mais simpático da confeitaria. Você fecha a venda feliz, leva o doce com carinho, e nem percebe que pagou a gasolina, perdeu uma hora no trânsito e usou uma embalagem térmica, tudo de graça. Vamos colocar esse custo na conta.
A entrega não é cortesia, é serviço
A entrega tem custo, e custo se cobra. Tratar o frete como cortesia é decidir, sem perceber, abrir mão de um pedaço da margem a cada pedido. Combustível, tempo e embalagem de transporte são reais, e alguém paga por eles, a questão é se é o cliente ou você.
Cobrar o frete não afasta cliente. O que afasta é a surpresa. Cliente entende pagar uma entrega justa; ele se irrita com taxa escondida ou com um valor que não faz sentido pra distância.
O que entra no custo da entrega
O frete de doces se calcula somando o que ele realmente consome:
- Deslocamento: combustível do seu carro ou moto, ou a taxa do entregador de app.
- Tempo: a sua hora de ida e volta, incluindo o trânsito e a espera. Tempo é custo.
- Embalagem de transporte: caixa térmica, suporte de bolo, gelo, o que segura o doce inteiro no caminho.
- Risco: bolo delicado e dia de calor pedem cuidado extra, que vale uma taxa maior.
Some isso e você terá o custo de uma entrega. Repare que o frete não é custo de mercadoria, então não entra no CMV (que o SEBRAE recomenda manter entre 25% e 35% do preço, contando ingredientes e embalagem). Mas é um custo de venda, e custo de venda também sai da margem se ninguém o paga.
Cobre por distância, não por um valor só
Frete justo é frete por faixa de distância. Um valor único cobra demais de quem está perto e de menos de quem está longe, e a venda da vizinhança acaba subsidiando a do outro bairro. Divida o seu atendimento em faixas de raio e cobre conforme a distância.
Há dois modelos que funcionam, e a escolha depende de você. Quem entrega só na redondeza pode embutir um frete médio no preço e anunciar “entrega grátis”, que atrai. Quem atende a cidade inteira deve cobrar à parte, por faixa. Em ambos, dá pra oferecer retirada sem custo e, se fizer sentido, frete grátis acima de um valor de pedido.
Deixa o preço cobrir o caminho
O custo do produto você resolve na precificação; o do frete, somando o deslocamento ao orçamento. Quando o preço do doce já está bem calculado, sobra clareza pra decidir quanto da entrega embutir e quanto cobrar à parte. A calculadora de precificação de doces ajuda a ver o preço e o lucro do produto, pra você saber quanta margem tem antes de pensar no frete.
O método completo está no guia de como precificar doces. Se você trabalha com encomendas, veja como precificar encomendas, onde a entrega entra no orçamento, e não esqueça da taxa de cartão, o outro custo de venda que costuma sumir da conta.
No fim, levar o doce até a porta do cliente é um serviço que merece preço. Calcule o caminho, e a entrega para de sair do seu bolso.
Ainda em dúvida?
01 Quanto cobrar de entrega de doces?
Calcule o custo real da entrega (combustível ou taxa do app de entrega, o seu tempo e a embalagem térmica) e cobre por faixa de distância, não um valor único. Uma entrega de 2 km e uma de 15 km não custam o mesmo. Defina faixas de raio com valores diferentes, ou embuta um frete médio no preço se você entrega só na vizinhança.
02 Vale a pena entregar doce?
Vale, se a entrega for cobrada ou embutida no preço. O problema não é entregar, é entregar de graça: o combustível, o tempo parado no trânsito e a embalagem térmica são custos reais que saem da sua margem se ninguém os paga. Cobrando o frete por distância, a entrega vira um serviço a mais, não um prejuízo.
03 Como calcular o frete de uma encomenda?
Some o custo do deslocamento (combustível ou taxa do entregador), o seu tempo de ida e volta e a embalagem específica para transporte. Divida em faixas de distância e cobre conforme o raio. Para encomendas grandes ou bolos delicados, considere também o risco e o cuidado extra, que justificam uma taxa de entrega maior.
04 Devo embutir o frete no preço ou cobrar à parte?
Depende do seu modelo. Quem entrega só na vizinhança pode embutir um frete médio no preço e anunciar entrega grátis, o que atrai. Quem atende uma cidade inteira deve cobrar à parte por faixa de distância, senão a venda perto subsidia a venda longe. O importante é que o custo da entrega esteja coberto de algum jeito.
05 Como cobrar entrega sem perder o cliente?
Seja transparente e ofereça opções: mostre o valor do frete por região, dê a alternativa de retirada sem custo e, se fizer sentido, ofereça frete grátis acima de um valor de pedido. Cliente não recusa pagar entrega justa; ele recusa surpresa. Deixar o frete claro no orçamento evita o atrito na hora de fechar.
06 A entrega afeta a margem de lucro?
Sim, e bastante, se for de graça. A entrega não é custo de mercadoria (não entra no CMV, que o SEBRAE recomenda manter entre 25% e 35%), mas é um custo de venda que sai da margem quando não é cobrado. Combustível, tempo e embalagem térmica somados podem transformar uma venda lucrativa numa venda no zero a zero.
Fontes
Pare de cobrar no chute.
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