Taxa de cartão na confeitaria: como não perder margem na maquininha
A maquininha desconta a cada venda, e esse percentual sai direto da sua margem. Veja como embutir a taxa de cartão no preço dos doces, sem susto no fim do mês.
A taxa da maquininha sai direto da sua margem se você não a embutir no preço. A solução é tratá-la como mais um custo: some o percentual médio que o seu cartão cobra ao custo do doce antes de aplicar a margem. Assim o preço já nasce cobrindo o desconto, e a venda no cartão rende tanto quanto a venda no Pix.
A taxa de cartão é o custo invisível da confeitaria. Você vê o ingrediente subir, vê o gás chegar, mas a maquininha desconta na surdina, um pedacinho de cada venda, e no fim do mês a conta nunca fecha do jeito que você imaginou. Vamos trazer ela pra luz.
Por que a taxa come a margem
A taxa do cartão corrói a margem porque incide sobre o preço de venda inteiro, a cada transação, e quase ninguém a coloca no preço. Você calculou o doce com ingrediente, embalagem, mão de obra e margem, fechou um preço bonito, e aí a maquininha tira o seu percentual daquele total. O que sobra é menos do que a sua conta dizia.
O detalhe cruel é que esse percentual sai justamente da parte que era pra ser o seu lucro. Se a sua margem era apertada, a taxa pode transformar uma venda lucrativa numa venda quase de graça.
Quanto a maquininha desconta
As taxas variam bastante por maquininha, plano e bandeira, então confira o seu contrato, mas o mapa geral costuma ser este:
- Débito: em torno de 1,5% a 2% por venda.
- Crédito à vista: em torno de 3% a 4,5%.
- Crédito parcelado: mais que isso, e o percentual cresce conforme o número de parcelas.
Esses números mudam de operadora pra operadora e com o seu volume de vendas, mas servem pra você ter uma média de trabalho. O importante é saber o seu percentual real e usá-lo na conta, não fingir que ele não existe.
Embuta a taxa antes da margem
O jeito de não perder dinheiro é simples: trate a taxa como um custo e some-a antes de aplicar a margem. O percentual médio da maquininha entra na formação do preço junto com ingrediente, embalagem e mão de obra, de modo que o preço final já cubra o cartão.
A taxa não é custo de mercadoria, e por isso não entra no CMV (que o SEBRAE recomenda manter entre 25% e 35% do preço, contando ingredientes e embalagem). Mas ela é um custo de venda, e custo de venda também precisa estar no preço. Uma alternativa permitida é embutir a taxa pra todos e oferecer desconto a quem paga no Pix ou no dinheiro: você não fica no prejuízo no cartão e ainda incentiva o pagamento sem taxa.
Deixa a conta descontar sozinha
Calcular o preço já com a taxa na mão é trabalhoso de fazer toda vez, e fácil de esquecer. Por isso vale uma ferramenta que desconte o percentual automaticamente e mostre o lucro real depois do cartão. A calculadora de precificação de doces deixa você ver o preço, o lucro e o CMV se atualizando quando você muda os custos, e o Receitório guarda isso receita por receita.
O método completo de formação de preço está no guia de como precificar doces, e o guia de ficha técnica e CMV mostra como enxergar tudo que come a sua margem. Se você vende por encomenda, veja também como precificar encomendas e o guia de frete e entrega, outro custo que costuma sumir da conta.
No fim, aceitar cartão é ótimo pras vendas, desde que a maquininha não esteja saindo do seu bolso. Embuta a taxa, e cada forma de pagamento rende o mesmo lucro.
Ainda em dúvida?
01 Como repassar a taxa do cartão no preço dos doces?
Some o percentual médio que a sua maquininha cobra ao custo do produto antes de aplicar a margem, tratando a taxa como mais um custo. Assim o preço já nasce cobrindo o desconto do cartão. O erro é definir o preço sem a taxa e descobrir, depois, que cada venda no cartão rende menos do que a venda no Pix ou no dinheiro.
02 Quanto a maquininha desconta por venda?
Varia muito por maquininha, plano e bandeira, mas as taxas costumam ficar em torno de 1,5% a 2% no débito, 3% a 4,5% no crédito à vista e mais que isso no crédito parcelado, onde o percentual cresce com o número de parcelas. Confira as taxas exatas do seu contrato, porque elas mudam de operadora para operadora.
03 Vale a pena aceitar cartão na confeitaria?
Costuma valer, porque o cartão aumenta as vendas e o ticket, principalmente em encomendas maiores. O ponto não é recusar o cartão, e sim embutir a taxa no preço pra que ela não saia da sua margem. Se você cobre o custo do cartão no preço, aceitar todas as formas de pagamento só amplia as suas vendas.
04 Posso cobrar mais caro de quem paga no cartão?
A prática mais comum e tranquila é embutir a taxa no preço de todos e, se quiser, oferecer um desconto para Pix ou dinheiro, o que é permitido. Assim você não fica no prejuízo no cartão e ainda incentiva o pagamento que não tem taxa. O importante é que o seu preço-base já cubra o custo do cartão.
05 A taxa do cartão entra no CMV?
A taxa do cartão não é custo de mercadoria (ingrediente e embalagem), mas é um custo de venda que precisa entrar na formação do preço do mesmo jeito. O SEBRAE recomenda manter o CMV entre 25% e 35% do preço; a taxa de cartão é uma despesa adicional que, somada às demais, define quanto realmente sobra de lucro depois de cada venda.
06 Como calcular o preço já com a taxa de cartão?
Some todos os custos do doce, inclua o percentual médio da maquininha como um custo de venda e só então aplique a margem. Uma forma simples é tratar a taxa como uma fatia fixa que sai de todo preço; ferramentas de precificação já descontam esse percentual automaticamente, mostrando o lucro real depois do cartão.
Fontes
Pare de cobrar no chute.
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