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Quanto cobrar no cento de doces: a tabela por docinho

O cento é o preço de um docinho vezes cem, e é aí que o erro de centavos vira rombo. A tabela de 8 docinhos, com custo, meio cento e cento.

Publicado em 05 de agosto de 2026

Quanto cobrar no cento de brigadeiro se responde por unidade, nunca por cento: a bolinha que custa R$ 0,80 entre insumo, forminha e mão de obra sai por R$ 1,45 com 50% de margem, e o cento fecha em R$ 145. A tabela abaixo faz essa mesma conta para 8 docinhos de festa, do beijinho à trufa.

A pergunta chega sempre do mesmo jeito no WhatsApp: “quanto é o cento?”. E é aí que muita confeiteira responde de cabeça, com um número que parece justo, arredondado pra baixo porque o cliente é conhecido. O problema é que o cento amplifica tudo. Errou dez centavos por bolinha, errou dez reais na encomenda. Errou dez centavos em cinco encomendas no mês, e lá se foi o lucro de uma delas inteira. O cento não perdoa chute.

A tabela do cento, docinho por docinho

Todos os preços saíram da mesma fórmula, com 50% de margem sobre insumo e mão de obra. A embalagem entra depois, sem markup.

Os valores de insumo são exemplos, calculados a partir de preços médios de mercado. Confirme os seus com o fornecedor antes de fechar preço.

DocinhoCusto por unidadePreço por unidadeMeio centoCento
Brigadeiro comumR$ 0,80R$ 1,45R$ 72,50R$ 145,00
BeijinhoR$ 0,85R$ 1,55R$ 77,50R$ 155,00
CajuzinhoR$ 0,95R$ 1,75R$ 87,50R$ 175,00
Brigadeiro gourmetR$ 1,25R$ 2,25R$ 112,50R$ 225,00
Bem-casadoR$ 1,30R$ 2,05R$ 102,50R$ 205,00
Olho de sograR$ 1,30R$ 2,40R$ 120,00R$ 240,00
CamafeuR$ 1,35R$ 2,50R$ 125,00R$ 250,00
TrufaR$ 2,00R$ 3,80R$ 190,00R$ 380,00

Agora olhe duas linhas do meio com atenção. O bem-casado e o olho de sogra custam exatamente o mesmo: R$ 1,30 a unidade. No entanto, um sai por R$ 2,05 e o outro por R$ 2,40. Não é erro de digitação.

A diferença está em onde o custo mora. No bem-casado, R$ 0,55 do custo é papel de seda e laço, e embalagem passa direto pelo preço, sem margem em cima. No olho de sogra, quase todo o custo é ameixa, leite condensado e o seu trabalho, e é justamente isso que a margem multiplica. Dois doces com o mesmo custo e preços diferentes: essa é a prova de que a fórmula está fazendo o trabalho dela.

Quanto cobrar no cento de brigadeiro, em cinco passos

O cento nunca se calcula direto. Sempre pela unidade, sempre nesta ordem:

  1. Some o custo dos ingredientes da panela inteira.
  2. Divida pelo rendimento real, o número de bolinhas que saem de verdade, não o que a receita promete.
  3. Some a embalagem por unidade: forminha, mais a fração da caixa, da fita e da etiqueta.
  4. Some a sua mão de obra. Enrolar cem docinhos é uma tarde, e tarde é custo.
  5. Aplique a margem sobre insumo e mão de obra, some a embalagem por fora e multiplique por 100.

Tela de embalagens do Receitório com o custo de forminhas e caixas

Na prática, com o brigadeiro comum: uma panela de R$ 14 rende 40 bolinhas, o que dá R$ 0,35 de ingrediente por unidade. Forminha e fração de caixa, R$ 0,15. Meia hora enrolando, a R$ 24 a hora, R$ 0,30. Insumo mais mão de obra dá R$ 0,65, que com 50% de margem vira R$ 1,30, mais R$ 0,15 de embalagem: R$ 1,45 a unidade, R$ 145 o cento.

Do outro lado da conta, o custo do cento é R$ 80. Sobram R$ 65 de lucro pela tarde inteira. Esse é o número que decide se vale a pena aceitar a encomenda de sábado, e não o R$ 145 do preço cheio. A conta completa do docinho mais pedido do Brasil está no guia de quanto cobrar por um brigadeiro.

Quanto cobrar o cento de brigadeiro gourmet

O gourmet não é o comum com preço maior. É outro custo, em três colunas ao mesmo tempo: chocolate nobre no lugar do achocolatado (R$ 0,50 contra R$ 0,35 de insumo), forminha e caixa melhores (R$ 0,25 contra R$ 0,15) e mais tempo de acabamento (R$ 0,50 contra R$ 0,30). Some tudo e o custo por unidade sobe de R$ 0,80 para R$ 1,25.

Com a mesma margem de 50%, o cento vai de R$ 145 para R$ 225. Repare que ninguém precisou “cobrar mais caro porque é gourmet”. O preço subiu sozinho, puxado pelo custo. Quem cobra gourmet com custo de comum está pagando o chocolate nobre do próprio bolso, e essa é a armadilha mais cara da mesa de docinhos.

Bem casado, o valor do cento e a mão de obra escondida

O bem-casado merece parágrafo próprio porque ele quebra a intuição de todo mundo. O insumo dele é o mais barato da tabela, a bagatela de R$ 0,15 por unidade, e mesmo assim o cento sai por R$ 205, mais caro que o de cajuzinho.

O custo do bem-casado não está na massa. Está no papel de seda, no laço, na etiqueta e, principalmente, no ato de rechear, fechar, embrulhar e amarrar cem unidades à mão. É um doce de trabalho, não de ingrediente. Se você cobra bem-casado olhando pro pão de ló, está entregando a sua tarde de graça, com laço e tudo. O detalhe todo está no guia de quanto cobrar por um bem-casado, e quando o pedido é de casamento, o guia de preços de doces para casamento fecha o orçamento por convidado.

Cento, meio cento ou unidade?

Docinho de festa se vende por volume, e o volume tem uma função além do preço: ele organiza a sua produção. Uma regra simples que funciona:

  • Cento e meio cento para encomenda de festa, entregue em caixa. É onde a sua margem é previsível, porque você produz em lote.
  • Caixa com seis ou doze para presente e venda avulsa, com preço por unidade um pouco maior. Lote pequeno custa mais por unidade, e o preço tem que refletir isso.
  • Unidade solta só em venda de balcão ou de rua, com preço arredondado pra facilitar o troco. O guia de vender doces na rua trata desse caso.

E o desconto no cento, aquele que a cliente sempre tenta? Ele só se justifica quando produzir cem te economiza de verdade: uma fornada em vez de três, uma compra maior de insumo, uma viagem de entrega só. Nesse caso, o desconto sai da economia. Quando não sai, sai da sua margem. Fuén.

Deixa a conta pronta antes do “quanto é?”

A vantagem de calcular o cento uma vez é que a segunda pergunta nunca mais te pega. Meio cento de quatro sabores? Já está somado. Cento com Ninho e morango? Também.

Pra ver a conta rodando agora, sem instalar nada, a calculadora de precificação de doces já abre na receita de brigadeiro: mexa no preço do leite condensado e no rendimento e o preço por unidade aparece na hora, pronto pra multiplicar por cem. A tabela com mais produtos, incluindo bolo por quilo e brownie por corte, está na tabela de precificação de doces. E o método completo, com os erros que mais comem margem, está no guia de como precificar doces.

Receita de brigadeiro no Receitório com custo e preço sugerido lado a lado

No fim, o cento é só uma multiplicação. O trabalho todo está no número que você multiplica. Se esse número foi chutado, você acabou de errar cem vezes de uma vez só. E o seu cento, você já sabe quanto custa pra fazer?

Perguntas frequentes

Ainda em dúvida?

01

Quanto cobrar no cento de brigadeiro?

Um cento de brigadeiro comum sai por R$ 145 quando a bolinha custa R$ 0,35 de ingrediente, R$ 0,15 de forminha e R$ 0,30 da sua mão de obra, com 50% de margem sobre insumo e trabalho. Se o seu leite condensado é mais caro ou a sua hora vale mais, o número muda: o método é esse, os valores são seus. Nunca feche cento sem antes saber quanto custa uma unidade.

02

Quanto cobrar em um cento de brigadeiro gourmet?

No exemplo deste guia, R$ 225 o cento, contra R$ 145 do comum. A diferença não é capricho de preço: o gourmet leva chocolate nobre no lugar do achocolatado (R$ 0,50 de insumo contra R$ 0,35), forminha e caixa melhores (R$ 0,25) e mais tempo de acabamento (R$ 0,50). Custo maior em três colunas de uma vez, e a mesma margem de 50% por cima.

03

Qual o valor do cento de bem casado?

R$ 205 o cento, ou R$ 2,05 a unidade, com massa e doce de leite a R$ 0,15, papel de seda com laço a R$ 0,55 e R$ 0,60 de mão de obra. O bem-casado tem o insumo mais barato da mesa de doces e ainda assim é um dos mais caros de produzir, porque o custo dele mora no laço e na sua tarde, não na massa.

04

Quanto custa fazer um cento de brigadeiro?

Cerca de R$ 80: R$ 35 de ingredientes, R$ 15 de forminha e embalagem e R$ 30 da sua mão de obra. Vendendo o cento a R$ 145, sobram R$ 65 de lucro. É esse número, e não o preço cheio, que responde se vale a pena aceitar a encomenda de sábado.

05

Como precificar cento de doces?

Ache o custo de uma unidade (ingredientes pelo rendimento real, mais embalagem e mão de obra), aplique a fórmula preço = (insumo + mão de obra) ÷ (1 − margem) + embalagem, e multiplique por 100. O cento nunca se calcula direto, sempre pela unidade. Quem estima o cento de cabeça erra por centavos, e centavos vezes cem viram dezenas de reais.

06

Vale a pena dar desconto no cento de doces?

Só quando produzir cem de fato te economiza alguma coisa: uma fornada em vez de três, uma compra maior de insumo, uma viagem de entrega só. Aí o desconto sai da economia real, não da sua margem. Desconto dado por dó do cliente que pediu muito é doação com outro nome, e sai do seu bolso.

Fontes

Do custo ao preço justo

Pare de cobrar no chute.

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